
A cidade parece ter parado no tempo. As ruas são estreitas e cobertas por asfalto gasto, marcado por rachaduras e remendos antigos. Os postes de iluminação espalham uma luz amarelada que mal atravessa a neblina das noites frias. Carros quadrados ocupam as vagas, enquanto telefones públicos e bancas de jornal relembram uma época em que a internet ainda era um sonho distante. Vitrines exibem televisores de tubo, videocassetes e fitas VHS. Placas de neon piscam sobre lanchonetes e locadoras onde o cheiro de cigarro se mistura ao de café. Em alguns lugares, uma jukebox toca hits dos anos 90, abafados por conversas baixas. Durante o dia, a cidade tem um ar rotineiro com crianças brincando e vizinhos que se conhecem. Mas, quando o sol se põe, tudo muda. As ruas esvaziam, janelas se fecham e poucos ousam ficar do lado de fora. À noite, um silêncio inquietante toma conta, quebrado apenas pelo zumbido dos postes ou pelo latido distante de um cão. Há boatos de passos em becos e sombras em cruzamentos desertos. Os moradores evitam falar de desaparecimentos, prédios abandonados ou símbolos estranhos que surgem nos muros. A polícia trata tudo como coincidência, mas quem vive ali sente que algo está errado. A cidade esconde um segredo antigo, adormecido sob suas ruas, esperando alguém curioso — ou imprudente — o suficiente para despertá-lo.
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